A pandemia mudou muita coisa desde quando se estabeleceu em território nacional. Uma das alterações mais significativas foi no espaço de trabalho, com uma explosão no número de colaboradores atuando de forma remota por um tempo definido ou de forma permanente a partir de então. Com isso, o controle de horas se tornou um desafio. Segundo pesquisa do Instituto Datasenado, quase 80% dos 5 mil entrevistados excedem a jornada prevista. O resultado é um aumento do estresse e esgotamento desses profissionais.

Tecnologia é aliada

Para ajudar a equilibrar a balança entre a vida pessoal e corporativa dos contratados, bem como ampliar a segurança jurídica, as empresas investem em recursos para controlar o expediente. De acordo com Dimas Fausto, presidente da Dimastec, companhia especializada em gestão de ponto e controle de acesso, a contratação de aplicativos para o registro remoto aumentou consideravelmente. De março para cá, representa a maioria de negócios formalizados. Entre os sistemas mais procurados estão o georreferenciamento e uma espécie de cerca virtual, capaz de liberar a marcação apenas se o empregado estiver no limite físico permitido para exercer a atividade (a casa dele, por exemplo).

“Temos mais de 200 clientes usando em ambiente remoto o aplicativo lançado em abril para gestão de horas. Esse número representa mais de 20% dos nossos consumidores. A ferramenta, via aplicativo, funciona como alternativa de apontamento das horas trabalhadas, atendendo à legislação e com sustentação jurídica para todos os envolvidos. Automaticamente, as informações migram para o sistema de gestão de pessoas, facilitando na hora de acompanhar a equipe e evitar os excessos de carga horária”, pontua Fausto. Para ele, o controle efetivo da jornada resulta em um time mais motivado e menos sobrecarregado.

Carga excessiva gera desgaste

A psicóloga e docente universitária Ana Paula Parada confirma: a alta carga de labor e o volume elevado de atividades, somados à responsabilidade excessiva e pressão constante, geram um desgaste tanto físico quanto mental no colaborador. Situação agravada na pandemia, segundo ela, por causa do grau de instabilidade emocional vivenciado no início do quadro e ainda ativo, mesmo em menor medida.

De acordo com a explicação da especialista, “no começo, a gente entendia muito pouco essa experiência, havia dúvidas de como ficaria o ofício, a renda de cada um, então eram muitas incertezas e inseguranças, gerando um maior nível de ansiedade”. Na visão da especialista, sobrevivemos, aprendemos a trabalhar em outro modelo, porém, esse esforço de adaptação tem um preço o qual aparece na fatura de cada um de uma maneira muito específica.

Essa consequência tem surgido de maneira considerável na população empregada, até mesmo entre os executivos de alto escalão. A MedRio, organização de check-up corporativo em atuação no Brasil, comparou os resultados da checagem de integridade de 3.500 desses trabalhadores entre abril e agosto de 2020 com os levantados em 2019. Foi constatado um aumento significativo na taxa de doenças crônicas e síndromes como a de Burnout. Esta saltou da média histórica de 5% para 12% no período analisado.

Ana Paula contextualiza o problema. “O quadro significa queimar algo até o fim, ou seja, simbolicamente seria consumir todas as suas energias físicas e emocionais por conta de uma rotina corporativa desgastante. É importante frisar: todo mundo está sujeito a ter a síndrome, mas isso depende muito do momento de vida do indivíduo, da sua rotina e das condições individuais de cada um”, pontua.

Aos profissionais, a psicóloga dá dicas concretas para melhorar a sensação de esgotamento e insatisfação. “Estabeleça uma rotina com espaço para outras coisas, além do ofício – deve ter limites e horas definidas. Se relacione com a família, cuide da saúde, faça exercício físico, se alimente bem e procure opções de entretenimento e hobbies prazerosos, tudo isso sem esquecer a importância do sono”.

A especialista também recomenda um olhar analítico para o nosso mundo interno. “Existem recursos imprescindíveis, mas há ainda coisas pesadas, de pouco uso e as quais vale descartar? Olhar para dentro e reconhecer quais são as dificuldades, fazer essa checagem, é uma maneira adequada de perceber o momento e ampliar as perspectivas”, opina.

Já para as corporações, a orientação de Fausto é “identificar se o aplicativo atende a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para os dados não serem manipulados incorretamente e para terem criptografia, além de pesquisar se roda em um ambiente seguro e homologado”. Deve-se considerar também a facilidade de manuseio “para todos os colaboradores entenderem como se opera a ferramenta; a integração aos sistemas já operantes na corporação é uma condição indispensável”, finaliza.

Como está o seu expediente?

Estamos no Linkedin com mais dicas e matérias focadas para gestores.

Se você tiver dúvidas sobre a contratação de estagiários e aprendizes, solicite um contato da nossa equipe.

Interessado em aprender mais? O Nube também oferece cursos on-line voltados para a qualificação profissional de gestores, estagiários e aprendizes.

Compartilhe