A diversidade é um assunto em voga. Sua importância sempre foi válida, mas há alguns anos, o tema tem sido discutido com maior frequência e intensidade nos âmbitos escolares e profissionais. Justamente por isso, é preciso entender as diferentes esferas nas quais os preconceitos e a falta de inclusão afetam as sociedades e grupos minorizados. 

Ainda há muito a percorrer

De acordo com Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir, houve um aumento das ações e dos quadros de colaboradores representando marcadores sociais de pessoas com deficiência, LGBTQIA+, mulheres, negros, talentos 45+, entre outros. “Experimentamos a interação com uma sociedade mais ‘letrada’ e empenhada em realizar e cobrar ações, mas com muito ‘chão para percorrer’”, relata. 

Com base no conhecimento já adquirido, a CEO propõe uma reflexão: “com quantas pessoas diversas você trabalha? Como sua empresa está estabelecendo conexões, convivência e aprendizados com os vários marcadores?”, questiona.  

Existências singulares marcam a convivência em grupo

Segundo a especialista, as respostas refletem o comportamento das organizações e quais aspectos podemos esperar delas. “Somos oito bilhões de pessoas no mundo, com características únicas, visíveis, invisíveis, mutáveis ou não. Para ser inclusivo, é preciso respeitar, valorizar e reconhecer as distinções”.

Portanto, ainda para Carolina, é impossível um brasileiro viver sem cruzar com representantes desses marcadores sociais em algum momento. “Entre os grupos, o ponto de congruência está em um tema específico: a necessidade de promover a inclusão”, compartilha. 

Relação com o bullying e preconceito

A existência única de cada ser é vivenciada em múltiplos contextos, principalmente nos coletivos. Um dos lugares onde isso mais se manifesta é nas instituições de ensino. Isso, por sua vez, gera alguns desafios para a interação entre os pares, impulsionados por problemas como o bullying.

Os prejuízos e exposições causados na vida de um indivíduo quando ele passa por situações do tipo podem desencadear problemas sérios de saúde física e mental. O Nube - Núcleo Brasileiro de Estágios fez uma pesquisa sobre isso e perguntou: “você já sofreu bullying na escola ou faculdade?”. 

Quem consegue superar

Com mais de 23,6 mil participantes, quase metade, 46,6%, dos jovens respondentes,  vivenciaram situações assim, mas conseguiram superar as mágoas com o tempo. Para a recrutadora do Nube, Alyne Soares, um ser pode ficar sequelado pelo resto da vida ao passar por tal circunstância. “Isso pode se tornar um trauma ao crescer e essa pessoa pode ter problemas ligados às relações sociais e, principalmente, impasses com a própria identidade”.

Outros não lidaram com esse problema, mas já viram ele se manifestar

Já 30% não tiveram esse problema, contudo, também reconhecem essa como uma atitude comum entre crianças, adolescentes e jovens. Mais 4,1%, ou 963, nunca foram as vítimas, mas já viram de perto essa questão se manifestar. Além disso, esse grupo diz não ter feito nada para auxiliar os colegas. A recrutadora destaca a relevância de pensarmos em maneiras de exercitar a capacidade de nos colocar no lugar do outro e pôr em prática ações para tentar minimizar a dor causada.

Ainda segundo Alyne, quem comete o ato talvez só esteja repetindo falas e atitudes vistas no núcleo familiar. “Muitos comportamentos de intolerância são reproduzidos a partir de falas ouvidas dentro do próprio lar. Esse é um fator comum no ambiente das salas de aula por ser um local onde se lida com o plural. Quando estamos em nossa casa, nos acostumamos a ter conexões com quem está à nossa volta, porém, ao estar em lugar coletivo, os indivíduos têm diferenças físicas, intelectuais e mentais. Para alguns, é difícil lidar com essa questão por não aceitarem a possibilidade de haver essas pluralidades”.

Para muitos, não é tão fácil seguir em frente

Justamente por isso, se faz tão indispensável o diálogo, seja com quem sofre, como com quem pratica. “Vale lembrar: esses ocorridos devem ser levados para os professores e diretores das escolas. A empatia nesses casos é extremamente importante, além disso é crucial existir o acolhimento da pessoa quando passa por isso”, orienta Alyne.

Bullying impacta na carreira profissional

Quase 18,7% (4.422) não conseguem seguir em frente do trauma, com prejuízos ligados ao desempenho escolar, sem contar a conexões e relações sociais. “É essencial buscar ajuda porque, por meio de técnicas, irá auxiliar no processo de superação”, explica a selecionadora do Nube.

A intolerância pode ser um crime

Por fim, 124 entrevistados, 0,5%, foram autores das perseguições e não enxergam isso como um problema. Para esses, fica o alerta: dependendo da situação, um comentário ou agressão se configura como crime de injúria, passível de penalidades. Por fim, a especialista destaca: “a solução do bullying é uma sociedade inclusiva e livre de preconceitos, é imperativo também existir um sistema de conscientização, além de, em casa, ser ensinado sobre respeito”.

Quando temos abertura já nas salas de aula, isso tende a se repetir na construção das staffs dentro das corporações. Carolina retoma: “a mistura das diferenças tem se comprovado benéfica para os ambientes empresariais. Para inovar, criar e atender, todo mundo precisa ser considerado. O exercício de observar a multiplicidade ao nosso redor tira da invisibilidade representantes de marcadores sociais”.  

A expectativa é progredir

O desafio de englobar todas as vivências, no entanto, está no combate ao seu maior inimigo: o comportamento opressor. Por vezes, é chamado de capacitismo, etarismo, homofobia, transfobia e por aí vai. Tais posturas julgam o indivíduo pela sua idade, sexualidade, identidade de gênero, deficiência “e não pelo seu desenvolvimento ou talento”. 

Bulllying também pode acontecer na vida adulta

Por fim, Carolina reforça como não é necessário apenas em políticas assertivas, mas sim, ter um processo natural de convivência inter-relacional da humanidade. Não se trata somente de dar emprego, é urgente “garantir oportunidades e respeito a todos. Diversidade é um fato. Inclusão será sempre uma escolha!”, conclui. 

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