No fim da adolescência e início da fase adulta, as pessoas costumam ingressar no mundo empresarial. No Brasil, historicamente, isso não é diferente. Entretanto, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Pnad referente ao terceiro trimestre de 2021, cerca de 87,8 milhões de cidadãos encontram-se ocupados. Isso representa 49,6% da população com 14 anos ou mais desenvolvendo atividades consideradas produtivas. Os outros 50,4% estão fora do mercado. Sendo assim, é fundamental incentivar práticas como o estágio e a aprendizagem para o futuro do país.

As pessoas com deficiência (PcD) no mundo corporativo

Quando trazemos essa mesma medição à população de pessoas com deficiência, esse dado é ainda mais alarmante. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde - PNS 2019 - Ciclos de Vida, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em agosto de 2021, um a cada quatro deficientes com 14 anos ou mais estão desocupados, ou seja, um número muito maior em relação ao geral. Essas revelações são extremamente preocupantes, pois apesar de existirem benefícios próprios dirigidos a esse público, como o Benefício de Prestação Continuada - BPC, por exemplo, somente quem socialmente se encontra em vulnerabilidade extrema é englobado.

Para além dessa questão de urgência extrema, vivenciar o ambiente corporativo traz outros valores fundamentais e relativos à evolução do indivíduo. “Segundo o sociólogo alemão Max Weber, tais fatores estão ligados ao desenvolvimento humano enquanto ser social e também da sociedade na qual está incluído. Ao lhe serem atribuídas atividades pertinentes à vida real, cria-se a sensação de pertencimento. Da mesma forma, quando é capaz de atribuir tarefas e entregas aos colegas, ele pratica sua autonomia e empoderamento diante dos desafios”, explica o supervisor do Serviço de Inclusão Profissional e Longevidade do Instituto Jô Clemente, Victor Martinez.

Ao privar esse direito, não são negados apenas os recursos financeiros e econômicos, mas também a possibilidade de evoluir sua subjetividade, desejos e potencialidades. “Para reverter esse cenário é preciso encontrar espaço, tempo e, principalmente, oportunidades. É necessário chamar a atenção da sociedade e do poder público para essa situação”, ressalta Martinez.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, 47% das empresas brasileiras ainda não cumprem a Lei de Cotas, apesar dela estar em vigência há mais de 30 anos no país, criada para gerar inclusão produtiva. Caso isso fosse seguido à risca, as chances para essa parcela da população dobrariam. “Segundo dados divulgados na Rais 2019, apenas 1% dos PcDs estão formalmente empregados. Nesse sentido, é fundamental derrubar alguns mitos acerca dessa relação.

Pessoas com deficiência não querem trabalhar: de acordo com dados do Ministério do Trabalho, para cada vaga reservada a uma pessoa com deficiência há quase dez candidatos. Segundo a Rais 2019, há 8,9 milhões de pessoas nessa situação, mas apenas 371.913 mil têm sucesso.

Faltam candidatos para essas vagas: muitas vezes, a divulgação é feita de maneira errada ou não é esclarecido o fato da oportunidade ser destinada a esse público.
Não há qualificação: conforme o Censo 2010 do IBGE, somando apenas PcDs com nível superior completo, teríamos quantidade suficiente para cumprir o dobro de toda reserva legal de cargos. Infelizmente, eles têm mais dificuldade para conquistar seu lugar e recebem ofertas bem inferiores à sua qualificação.

Impossibilidade de atuação: nesse caso, todo e qualquer argumento cai por terra, pois vemos essas pessoas no ramo de frigoríficos, hospitais, universidades, indústrias, entidades do ramo de transporte, construção civil, vigilância, teleatendimento, entre outros.

As pessoas de mais idade em busca de uma chance

A diversidade nas equipes é o combustível para a inovação. Contudo, o mercado ainda resiste em atuar com times misturados. Essa barreira afasta injustamente dos indivíduos de mais idade as habilidades com tecnologia, por exemplo, por puro preconceito. Estudos indicam uma relação direta entre os programas de diversidade e a inovação. No entanto, como as corporações estão trabalhando o envelhecimento natural de seu time?

No geral, as ações de inclusão priorizam marcadores sociais como LGBTQIA+, equidade de gênero e raça. Cuidar dos colaboradores mais experientes é um desafio e deve ser tratado como mudança cultural, em vez de resumido a atitudes pontuais e sem impacto nas estratégias da companhia.

As organizações precisarão se acostumar com essas pessoas mais vividas em seus quadros e com a longevidade de forma muito mais colaborativa. A falta de mão de obra qualificada vai acometer cada vez mais as instituições em diversas áreas. “Cabe a nós a tarefa de capacitar e contribuir para o “reskill” desses profissionais, detentores de um conhecimento tácito importante para os negócios”, comenta a mestre em Gestão para Competitividade, Cristina Sabbag.

Para isso, o setor de RH pode elaborar projetos de capacitação. Os integrantes mais maduros serão estratégicos para manter a sabedoria na entidade e, principalmente, para contribuir com a transformação, pois isso só acontece por meio de pessoas. Nesse sentido, Cristina cita algumas dicas: “mapear ações de dentro para fora, definir e avaliar as oportunidades internas e traçar um plano de ação para administrar as equipes intergeracionais de forma produtiva”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, até o ano de 2050, o número de pessoas acima de 60 anos no mundo chegará a dois bilhões. De acordo com as estimativas do IBGE, em 2060, 25% da população brasileira terá 60 anos ou mais. Em 2019, a expectativa de vida ao nascer era de 76,6 anos. Ou seja, significou um aumento de 31,1 anos para ambos os sexos, frente ao indicador observado em 1940. Para os homens o crescimento foi de 30,2 anos e, para as mulheres, 31,8 anos.

É fundamental olhar para a longevidade como estratégica para os empreendimentos, para de fato assumirem gestões genuinamente humanizadas, levando esse conceito para a alta administração. O envelhecimento nas organizações deve ser mapeado e as lideranças precisam estar atentas sobre práticas no tema.

Portanto, aplique essa mudança de pensamento em seu negócio e dê oportunidade de inclusão em seu time. Dessa forma, você estará recheando seu grupo com novas ideias e histórias de vida diferentes. Assim, fica mais fácil de alcançar o sucesso. Se busca por estagiários e aprendizes para te ajudarem nessa missão, entre em contato com o Nube. Esperamos por você!

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