A crise econômica tem afetado a vida de milhões de brasileiros. Não à toa, o país acumula cerca de 62 milhões de inadimplentes. Segundo o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro, divulgado este ano pelo Banco Central do Brasil, cerca da metade da população está em situação de baixa saúde financeira e 58,4% afirmam ter como causa de estresse as contas, refletindo na vida familiar. Tanto quem é estagiário, aprendiz, funcionário CLT, empreendedor ou freelancer, é preciso se atentar para não ficar no vermelho. 

Os bancos e cartões de crédito seguem sendo os maiores credores dos cidadãos endividados, representando 28,7% das pendências. Em seguida, estão as dívidas básicas, como água e eletricidade, correspondendo a 23% do cenário. As marcas de comércio varejista aparecem em terceiro lugar, com 13% das despesas registradas no Serasa.

De acordo com o analista e educador financeiro Uesley Lima, as pessoas precisam ter um  controle cada vez mais minucioso sobre suas entradas e saídas: “Basicamente, é imprescindível tratar as nossas economias pessoais como uma empresa, com controle total dos ganhos e perdas da sua conta. Hoje em dia, existem diversos recursos para te ajudar”, afirma.

Neste momento de fragilidade, alguns cuidados são imprescindíveis. Pensando nisso, Uesley Lima listou cinco passos para ajudar a organizar as finanças e começar o ano de 2022 com uma perspectiva melhor.

1º passo: faça o seu diagnóstico financeiro

Comece fazendo uma análise categórica dos saldos. A recomendação é organizar em uma planilha de controle as suas fontes de renda - do salário até outras receitas, bem como seus gastos fixos. Assim, você terá uma ideia do seu balanço mensal, isto é, se você está fechando os meses no vermelho ou com um saldo positivo.

2º passo: evite fazer novas dívidas

Evitar o acúmulo de novas contas é outro ponto fundamental para colocar a saúde do seu dinheiro nos trilhos. Nesse caso, recomenda-se fugir do uso exacerbado de cartões de crédito e, principalmente, do cheque especial. O ideal é priorizar as compras à vista, para assim, impedir o efeito bola de neve do endividamento.

O autocontrole, portanto, é essencial. Tiago Lima, estudante de administração, confessa ter tido dificuldades para gerenciar seus primeiros rendimentos como estagiário. “Depois de uns quatro meses, percebi um risco muito grande de me prejudicar, então comecei a poupar e controlar tudo. Fica mais fácil para traçar objetivos”, conta. 

3º passo: elimine ou diminua as despesas supérfluas

Para sair da crise, é essencial diminuir os dispêndios não necessários. O importante é se manter focado nas suas prioridades atuais. O pensamento a longo prazo será o seu maior aliado. Quando o saldo estiver mais balanceado, será possível melhorar o seu padrão de vida e logo você poderá comprar coisas de seu desejo.

4º passo: renegocie

Feito o seu diagnóstico financeiro e o enxugamento das suas despesas, é hora de organizar-se a respeito do quanto você deve aos credores e como pagá-los. Neste ponto, é fundamental ter consciência plena dos valores viáveis dentro do seu orçamento mensal e é preciso deixar clara a sua real situação. Assumir valores mais altos é um erro capaz de comprometer toda a organização feita até então. 

5º passo: pense a longo prazo

Priorizar o pensamento a longo prazo dentro do seu plano de ação para enfrentamento da crise só irá te proporcionar vantagens posteriormente. Sempre quando puder, lembre-se de poupar um pouco mais, ou quem sabe até investir essa quantia. Planejar o futuro é um investimento para melhorar a qualidade de vida.

Para o educador, evitar a contração de novos débitos nas festas de fim de ano é importante para não comprometer os escopos de um novo ciclo. “O principal problema do brasileiro é comprar sem ter o dinheiro”, explica o especialista. “Se você começar a pensar no amanhã baseando-se em grandes sonhos, como comprar uma casa ou um carro melhor, é vital deixar de gastar de imediato e salvar para aplicar melhor depois, em alguma coisa capaz de gerar muito mais prazer para você e sua família. Então, é preciso se programar”, completa Uesley Lima.

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