Mesmo antes do coronavírus pegar o mundo inteiro de surpresa, já vivíamos em uma realidade conhecida como Vuca: volátil, incerto, complexo e ambíguo. Nesse contexto cada vez mais mutável, não apenas para líderes, como também para qualquer profissional, a empatia é uma palavra de ordem. Entenda!

Inteligência emocional e social ganham destaque

De acordo com a reitora do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Mariana de Brito Barbosa, em meio à pandemia e diferentes crises associadas, competências de inteligência emocional e social ganharam destaque. “São meios de superar os desafios com equilíbrio e assertividade”, explica. 

Dentre todas, a empatia, sem dúvida, foi carro-chefe. “Esteve no rol de palavras mais pesquisadas nos sites de busca no ano de 2020, mais comentada em noticiários e redes sociais e tida como diferencial para o manejamento das mais diversas situações e funções, dentre elas a de gestão”.  

Ela precisa ser aplicada com mais intensidade no contexto empresarial

Sinônimo de afeição, identificação, compreensão e “do saber se colocar no lugar do outro”, essa capacidade é um exercício de afetividade e conexão. “Contudo, justamente por ser considerada uma habilidade atrelada à sensibilidade ou à suavidade do fazer, tende a ser desconsiderada no cenário empresarial”, expõe Mariana. 

Ainda segundo a especialista, isso soa extremamente contraditório, pois sendo o ato de gerenciar, antes de tudo, se relacionar, o exercício de se colocar no lugar do outro deveria ser compreendido como uma habilidade cognitiva essencial de comunicação. “Permite ouvir e entender de forma mais clara e coerente as pessoas e suas leituras contextuais, bem como de aprimoramento para geração de vínculos, provocando mudanças nos ambientes organizacionais e na qualidade de vida dos colaboradores”. 

Até o autoconhecimento é favorecido

Ao aplicar essa habilidade, quem coordena demonstra interesse e apreço com as pessoas, mas, ao mesmo tempo, desenvolve seu autoconhecimento. “Isso porque amplia sua própria visão de mundo buscando assimilar e compreender como quem está a sua volta se sente ou pensa diante de uma situação”. 

Caso esse exercício seja cotidiano, abre caminhos para a construção de relacionamentos produtivos. “Tal capacidade estimula a criação de conexões confiáveis, a abertura para o diálogo e feedback, aumentando as chances de sucesso e qualidade do trabalho”, compartilha. 

No seu estágio em administração, Daiana Campos, tenta exercer ao máximo essa característica. “Gosto de tentar enxergar o mundo pela visão do outro. Isso abre muitas possibilidades para a interação com os colegas e chefes. A gente acaba aprendendo demais”, conta. 

Humanizando os processos

Mariana complementa: “com empatia, podemos desenvolver conexões sólidas, as quais promovem o engajamento, a transparência e a motivação. Se atingir resultados é o grande objetivo do líder, não devemos esquecer de como, em todos os níveis, a gerência é, antes de tudo, de pessoas e são elas as responsáveis por buscar soluções, meios e alternativas para esse fim”.

Portanto, quem tem a incumbência de direcionar um time precisa voltar seus interesses aos indivíduos. “Importem-se com seus liderados, reservem tempo para perceber as especificidades de cada um, invistam na proximidade e transversalidade para criação de um ambiente saudável, com sensação de pertença e colaborativo. Como efeito, tornar-se-á favorável à obtenção de desempenhos positivos e esperados”, conclui.

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