Reflexões e especulações sobre o tempo são um hábito corriqueiro entre nós. Na Filosofia, na Física ou em uma conversa informal, é um tema sempre presente. Implacável na sua marcha e na sua aparente "indiferença" com tudo e com todos, o assunto fascina, intriga e muitas vezes amedronta. Entre outras coisas, revela uma impotência humana sobre um fenômeno natural e substancial para a tomada de decisões de cada indivíduo ao longo da vida.

Uma referência comum nos dias atuais tem sido pautada na ideia de como as horas passam cada vez mais rápido. Segundo Edi Aparecido Trindade, professor e mestre em economia social e do trabalho: “a sensação de não ser mais suficiente para dar conta dos compromissos é generalizada, provoca angústias, impacta em aspectos da saúde física e mental e parece não ter solução. Não é incomum ouvir como o dia precisaria ter pelo menos 36 horas”, afirma.

Diante do atual cenário, essa reflexão se torna ainda mais palpável. “Nada neste ano pode ser comparado com os momentos chamados de ‘normais’. O isolamento social em boa parte desse período ‘mudou’ a relação com as horas e para muitos houve uma inversão de sensações: tudo parecia estar em ‘marcha lenta’ e os dias, semanas e meses tornaram-se ‘mais longos’”, comenta Trindade.

Tempo x Trabalho

É inegável como o mundo contemporâneo transformou por completo nossa forma de viver. “Só em termos de campo/cidade, temos atualmente mais da metade da população mundial vivendo em centros urbanos, alguns deles com milhões de pessoas. Uma boa parte vive em condições muito precárias em termos de segurança, moradia, transporte, saneamento entre outros”, destaca o especialista.

Para alguns, por exemplo, percorrer a distância entre a moradia e o local de trabalho já consome uma parte considerável do dia. “Além disso, a regra básica do trabalho entre o nascer e o pôr do sol já não é uma realidade para muitas pessoas. Nosso mundo demanda atividades 24 horas por dia e, com isso, inúmeras tarefas são executadas de forma ininterrupta, alterando a percepção do relógio”, diz o professor.

De acordo com o palestrante e escritor Alan Sant’Anna: “dentre os benefícios do home office estão a otimização em diversos aspectos e ainda a diminuição dos riscos com deslocamentos. Por outro lado, as desvantagens envolvem a redução da qualidade de interação, pois não há substituto perfeito para o contato presencial. Além disso, há o risco de aumentar o estresse e conflitos com membros da família por conta da convivência prolongada”, relata.

Inserção social

Por outro lado, nossa sociedade criou, e continua gerando, uma infinidade de atividades e objetos destinados a preencher cada vez mais o dia das pessoas. “Ações culturais, esportivas, de lazer e outros são ofertados em escala crescente. Objetos fundados por uma inovação tecnológica incessante surgem cotidianamente no mercado com a promessa de novas sensações”, orienta Trindade.

A isso soma-se o fato de cada vez mais as possibilidades de inserção social parecerem estar se estreitando. “Dessa maneira, preparar-se para um mercado mais competitivo é um processo cujo início é cada vez mais antecipado. Assim, começamos a ver crianças sem uma boa vivência na infância, jovens com dificuldades para amadurecer e adultos sem facilidade para se relacionar”, reflete o mestre.

Consumismo

Porém, o especialista ressalta outro fator importante a ser considerado: “vivemos uma era na qual o consumismo dominou completamente o imaginário social e transformou-se em um ritual cuja prática parece depender da existência humana. A incrível máquina de produzir mercadorias modificou nossa estrutura econômica e trouxe consigo o desafio de manter as pessoas integralmente dedicadas às compras”, comenta.

O mestre destaca ainda como o aspecto mais interessante está relacionado ao fato das aquisições em excesso nos tirar do presente: “ele projeta o futuro. Assim, não temos necessidade de parar de consumir”, explica Trindade. Nessa lógica, não seguimos o curso natural: “pois mal se apagaram as luzes e fogos de artifício do ano novo, o Rei Momo já está convidando para o carnaval”, ilustra.

Para ele, o agora "deixou de existir" na lógica do consumo e da mídia. O próximo evento não é regido por um fenômeno natural, para o qual as pessoas se preparavam sem perceber. “O cotidiano exige estarmos sempre no amanhã e assim, boa parte dos minutos foi expropriado pelo hábito de gastar”, finaliza.

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