As vagas para estágio e jovem aprendiz são as oportunidades para os jovens entrarem no mercado de trabalho. E a pandemia, que chegou a afetar as oportunidades nestas áreas, mostra sinais de recuperação. Levantamento feito por uma plataforma online de recrutamento revela aumento de 500% nas contratações de jovens aprendizes no primeiro semestre de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado. Uma dessas oportunidades ficou com a estudante do nono semestre de direito, Nicole Luna, de 22 anos, que conseguiu uma vaga após se cadastrar em uma plataforma especializada. Após muita procura, ela foi chamada para estagiar em uma empresa de agronegócios, em janeiro deste ano.

“Fiquei procurando por mais de seis meses, mas as vagas eram poucas pela pandemia, que ainda estava no começo”, afirma a estudante, que fala sobre as dificuldades encontradas. “Muitas empresas não aceitam por causa da falta de experiência, mas é justamente por isso que queremos entrar [na empresa]”, completa.

O CEO da plataforma responsável pelo levantamento, Renato Dias, diz que o aumento nas contratações é reflexo da recuperação econômica. “Em um contexto em que todos têm que enxugar os custos, é natural que contratos de estágios, de aprendizagem, não sejam renovados. Então, no momento que existe uma recuperação da economia e, no caso de aprendizagem, existe uma obrigação por lei, as empresas têm que retomar as contratações”, pontua.

A Superintendente do Centro de Integração Empresa-Escola, Mônica Vargas, confirma a tendência. Números da instituição apontam que a quantidade de contratos realizados entre empresas e estudantes aumentou 13,2%.

“A gente compara também o segundo semestre de 2020, que é 100% de pandemia, que é o primeiro semestre de 2021. Aí a gente olha de novo o crescimento, então podemos afirmar que está existindo esse aquecimento na oferta de vagas de estágio e de aprendizagem”, disse.

Dados do Núcleo Brasileiro de Estágios mostram que o número de vagas ofertadas em junho mais do que triplicou em relação ao ano passado. De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos está em 31%, bem mais alta do que a média nacional, de 14,6%.

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