A pandemia atingiu os brasileiros em cheio. É fato: são mais de 14 milhões de desempregados, milhares de negócios fechados e números socioeconômicos alarmantes. E ainda que ela tenha atingido a todos, será que o impacto também foi o mesmo? Segundo levantamento da Kantar, a resposta para essa pergunta é não. O estudo mostra que os jovens de 18 a 24 anos, a chamada Geração Z, foram os mais afetados pelos efeitos da pandemia, disparados à frente das demais faixas etárias. E isso ocorreu não apenas nos efeitos psicológicos — 49% dos jovens relataram impacto bastante negativo na saúde mental durante a pandemia —, mas também no bolso: 62% deles enfrentaram quedas no orçamento desde a chegada do vírus no Brasil.

Os motivos se concentram também na incerteza de trabalho e na preocupação com o vírus. O estudo mostra que 87% dos entrevistados revelaram que conhecem alguém próximo infectado com o vírus ou mesmo que já foi infectado, algo que contrasta bastante com o restante do mundo: em média, outras nações apontaram que apenas 8% contraíram a doença e 23% conheciam pessoas próximas que a contraiu.

Uma crise econômica que afeta principalmente a geração Z

Em toda a pesquisa da Kantar, que foi realizada com mais de 11 mil pessoas residentes em 21 países, incluindo o Brasil, houve uma quantidade razoável de pessoas atingidas economicamente pela pandemia. 54% dos entrevistados declararam ter tido a renda afetada pela crise, mas na geração Z, esse número sobe para 62%.

Esse número também vai ao encontro ao estudo revelado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). A pesquisa mostra que enquanto 62% dos recém-formados se sentem prontos para ingressar no mercado de trabalho, apenas 39% deles estão bem capacitados e aptos ao início da carreira — isso na visão das empresas.

Assim, se já havia uma dificuldade dessa geração em conquistar um espaço no mercado de trabalho, com a pandemia, essa situação ficou ainda pior. E isso acarreta sobretudo nos recém-formados, que em um período de crise econômica, não encontraram espaço para o início da carreira.

De acordo com um estudo do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), o número de recém-formados que hoje trabalham em sua área principal de atuação escolhida na primeira graduação é 15% menor que o de 2019, o que mostra o impacto do vírus para essa geração.

Assim, a consequência da crise econômica aponta, também para uma preocupação maior. Por consequência, é comum que apareçam sintomas relacionados ao estresse e à depressão, como revela o estudo da Kantar: 49% dos jovens entre 18 e 24 anos sentiram um impacto na saúde mental.

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