A independência financeira de muitos jovens passa a ser desenvolvida, principalmente, quando eles ocupam oportunidades de estágio no mercado de trabalho. Justamente por isso, é fundamental compreender o cenário para as mais diversas possibilidades de atuação em todo o país. Para fazer a análise de maneira assertiva, o Nube - Núcleo Brasileiro de Estágios, realizou a mais recente Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio. O levantamento é feito desde 2008. Neste ano, mostrou um aumento de 4,02% do resultado geral em 2019, quando comparado aos dados de 2018. Portanto, a média nacional ficou em R$ 1.007,06.


O estudo utiliza como base o período de janeiro a dezembro do ano passado e contou com a participação de 72.402 brasileiros. Para Seme Arone Junior, presidente do Nube, a crise do novo coronavírus pode impactar, tanto de maneira positiva, quanto negativa, as estatísticas a serem divulgadas em 2021. “A economia sofreu expressivamente por conta da pandemia e, portanto, a oferta de vagas de estágio teve uma queda durante o período”, comenta.


Mesmo assim, de acordo com o presidente, é essencial ter esses dados para ter uma visão ampla de como o país já estava reagindo à recessão anterior. “Isso mostra o quanto somos resilientes e conseguimos dar a volta por cima, mesmo em situações desfavoráveis”, analisa.


Há uma diferença de 8,8% em relação ao desempenho dos estagiários homens em relação às mulheres. O público masculino retira mensalmente R$ 1.057,40, enquanto o sexo oposto, R$ 964,23. Porém, Arone Junior alerta: “essa disparidade não é relacionada a sujeitos ocupando a mesma posição, exercendo funções iguais. Na realidade, as moças optam mais por áreas como pedagogia e licenciaturas, nas quais o valor é um pouco menor. Em contrapartida, há uma forte participação de rapazes nas áreas de engenharia e de exatas, por exemplo”.


A região Sul continua como a mais bem paga, com R$ 1.136,80. Centro-Oeste (CO), antes ocupando a segunda posição, deu lugar ao Sudeste. Em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, a média foi de R$ 1.007,89. Nordeste também ultrapassou CO com uma diferença de menos de um real: R$ 981,18 e 980,73, respectivamente. No Norte, o resultado ficou em R$ 776,62.


Para estudantes de nível superior, a média foi de R$ 1.138,28, número 3,8% maior quando comparado ao resultado divulgado em 2018, de R$ 1.095,89. Os tecnólogos também tiveram um aumento: foi de R$ 1.003,23 anteriormente para R$ 1.040,52. Uma novidade para este ano é a estatística para quem está cursando uma pós-graduação. Para esses, o recebimento médio é de R$ 2.115,68 a cada 30 dias. Houve crescimento de 3,5% para o ensino médio técnico, ficando em R$ 796,61. Os estudantes do nível médio receberam R$ 651,48, crescendo 3,2%. Aos matriculados no EJA (Educação de Jovens e Adultos), a média foi de R$ 649,39.

 

Ao ponderar o desempenho por idade, quem tem entre 24 e 29 anos ficou na frente: o pagamento para esses foi de R$ 1.161,15. Em segundo lugar, a faixa etária de 19 a 23 anos, com R$ 1.018,31, seguido por R$ 1.020,15 de quem tem entre 30 e 39 e por R$ 931,26 para os maiores de 50 anos. “Percebemos uma participação mais ativa dos mais experientes tentando novos rumos para a carreira e isso é muito positivo. Cada vez mais vemos pessoas atrás de profissões capazes de realizá-las”, conclui o presidente.


Ciências Econômicas, Engenharia e Química estão presentes no ranking dos dez cursos superiores com os melhores resultados desde 2008. Marketing, em 10º lugar em 2018, saiu, dando lugar a Sistemas da Informação. Outra novidade é Ciência da Computação. Agronomia estava em 4º lugar no último estudo e, agora, desbancou Ciências Atuariais com uma diferença de 4%. Os futuros agrônomos são pagos uma quantia de R$ 1.847,97 ao mês.


Para o tecnólogo, o setor de Banco de Dados permanece no topo, com R$ 1.360,20. Secretariado caiu quatro posições. Gestão Comercial entrou na lista, deixando Produção Audiovisual fora das dez mais. No médio técnico, Edificações partiu do 4º lugar e foi para o 1º, com uma média de R$ 916,32 mensais. A área de eletro teve queda. Eletromecânica, Eletroeletrônica e Eletrotécnica deram lugar a Marketing, Rede de Computadores e Contabilidade.

Para Arone Junior, dentre as áreas de maior destaque em relação ao ano anterior e este, está o aumento da presença de setores relacionados à tecnologia da informação e computação. “Isso demonstra um interesse das empresas, antes mesmo de qualquer crise sanitária, em modernizarem os processos, utilizando cada vez mais a Internet e o universo digital para facilitar a rotina”, comenta.


De acordo com ele, para o ano seguinte, isso será ainda mais perceptível. “Com a implementação do isolamento social, aumentou significativamente a demanda de mão-de-obra de talentos especializados em redes de computadores e conhecimentos correlatos”, prevê.


Porém, o presidente recomenda: “para a escolha de uma carreira, não considere apenas a renda. Embora seja um fator importante, é imprescindível priorizar sua afinidade com determinada área e alinhar isso com seus desejos, sonhos e objetivos para o futuro. Só assim é possível evoluir e galgar novas posições com muita motivação e disposição”, orienta.


O estágio é o principal meio de inserção de estudantes no meio corporativo. “Portanto, para a companhia contratante, os benefícios são diversos. Além de ser uma modalidade sem vínculo empregatício e, portanto, fica isenta dos encargos trabalhistas, como FGTS, 13º salário, ⅓ sobre férias e outros, os ganhos também estão em poder contar com talentos em potencial. Esses, por sua vez, trazem muita energia, garra e novas ideias para as equipes, algo fundamental para superar qualquer crise e fazer o Brasil voltar a crescer”, conclui o presidente.

 

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