Universitária acompanha assuntos sobre política, diz participar de discussões com temas que lhe interessam, mas sem participação em grupos militantes, que voltam a ganhar visibilidade no País, até projetando candidatos a cargos públicos, como aconteceu nas eleições deste ano. E motivo da distância faz parte de seu posicionamento político: “Eles se tornam aquilo que criticam, caem em hipocrisia. Se tornam ‘elitizados’.
Acabam se separando entre eles mesmos. Eu não conheço nenhum grupo que seja coerente”, critica.

Jovem de 19 anos, ligada à tecnologia e consumidora assídua de séries (que acompanha por computadores e outros dispositivos eletrônicos), ela cursa o terceiro semestre de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, e tem um perfil dos jovens que vão às ruas em manifeções e aparecem estar mais abertos a debates políticos, apesar de o entendimento deles sobre o campo depender de experiência e entendimento.

Ele diz que o despertar para a política ocorreu em algum momento nos últimos dois anos quando decidiu cursar Filosofia e passou a enxergar nas teorias expostas em sala de aula reflexos de ações em seu cotidiano. “É uma coisa que afeta minha vida, então tento pelo menos me manter informada”, diz.

No entanto, reclama da falta espaço de para debater ideias. “Existem oportunidades, mas são poucas e geralmente limitadas”, comenta, se referindo ao interesse ainda muito baixo pela política, que acaba não gerando convivências mais maduras. A universitária, porém, está um grupo que cada vez mais se aproximam da política, segundo pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube).

Mais de 12,4 mil jovens, com idade entre 15 e 26 anos, foram ouvidos no Brasil, entre os dias 12 e 23 de setembro, para saber qual o interesse por política atualmente deles. Segundo o Nube, 62,21% dos entrevistados apontaram mais entusiasmo com o tema. Desses, 47,81% (5.946) disseram: “Acho muito importante acompanhar”. Os outros 14,4% (1.791) afirmaram: “Gosto, mas evito comentar para não gerar conflitos”.

Para Marcelo Cunha, analista de treinamento do Núcleo, o índice é positivo e mostra o interesse e a atuação da juventude no cenário político. “A maior parte está ativa, preocupada em acompanhar decisões capazes de definir o futuro. Outros participam com um pouco mais de resistência, sobretudo pela dificuldade de debater pontos de vista diferentes”, explica.

A intolerância aparece nos próprios meios dominados pelos jovens, como em redes sociais, e levam desgastes e quebras de relações seja com amigos ou parentes – o problema é diferença. Para 19,73% dos entrevistados (2.454), “faltam líderes capazes”; no entanto a pesquisa não especifica se por imaturidade na vivência, baixo nível administrativo (leiam-se técnico) ou figuras sem representatividade. “Na realidade, se observa uma falta de sensibilidade para eleger as prioridades da sociedade e de investir bem os recursos em projetos voltados aos problemas sociais”, enfatiza Cunha.

Ele diz que quando as propostas forem pensadas, planejadas e implementadas com o objetivo de atender a população, será possível vislumbrar um cenário melhor. A sensação de falta de vínculo apareceu nas eleições municipais, quando o número de votos em branco, nulos e as abstenções superaram os votos recebidos por candidatos que ficaram em primeiro ou segundo lugar em 22 capitais – dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o Nube, até junho deste ano, só 40% dos jovens brasileiros, com idade entre 16 e 18 anos, tinham interesse tirar título de eleitor exercer o direito de voto. O índice representa uma queda de nove pontos percentuais se quando comparado com o mesmo período de 2012. “Não curto” O Nube aponta ainda que 9,24% (1.149) disseram não ter nenhum interesse em participação da política e revelaram que “não curtem e nunca falam sobre o tema”.

Outros 8,83% (1.098) disseram: “estou desiludido e não acredito mais em ninguém”. Cunha adverte sobre esse tipo de posicionamento. “Embora a corrupção, falta de oportunidades e fracassos sociais gerem mal-estar, esse sentimento não deve acarretar em uma ação de entrega absoluta ou derrota por parte da população”, garante

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