A presença da Covid-19 não para de aumentar no Brasil desde o surgimento do primeiro paciente, em março. Em meio às preocupações de saúde sobre a proliferação da doença, o impacto do novo coronavírus também atinge a economia de maneira geral. Planejamentos financeiros, cortes de gastos e desafio ainda maior para entrar no mercado de trabalho fazem parte da lista de complicações que têm preocupado as pessoas, com os jovens também sendo afetados pela má fase econômica momentânea nos meses da pandemia. Diferentes realidades e situações fazem com que a influência do novo coronavírus no cotidiano seja vista de diversas formas.

Tentar perceber como a doença tem atingido uma faixa etária mais baixa foi o objetivo do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios). A entidade, especialista em oferecer vagas de estágio e aprendizagem pelo País, realizou pesquisa de opinião sobre a pergunta: ‘A crise causada pelo coronavírus afetou a sua vida?’. Foram ouvidos 20.379 participantes, com idade entre 15 e 29 anos, entre os dias 30 de março e 10 de abril. 

 A maioria dos participantes, 43,72% (cerca de 8.910 pessoas), afirmou que ‘sim, estou com dificuldades para conseguir uma vaga’. Atualmente, apenas certos serviços considerados essenciais, casos de hospitais, farmácias, supermercados, oficinas mecânicas e da construção civil, podem funcionar no Estado de São Paulo durante a pandemia. Atividades diversas estão de portas fechadas e não sabem quando poderão retomar seu funcionamento normal.

Segundo Vitória Sorato, recrutadora do Nube, é preciso ficar de olho em áreas que estão em destaque e que podem render oportunidades para jovens trabalhadores. “Por exemplo, (os setores de) saúde e alimentação, os quais cada vez mais precisam de funcionários para auxiliar nesse momento”, afirma.

Ainda sobre a pesquisa em relação ao impacto motivado pelo novo coronavírus, 35,74% (7.284) disseram ‘sim, afetou financeiramente toda a família’. Isso é reflexo direto dos cortes de funcionários e reduções salariais que estão sendo feitos aos montes. Uma estimativa calculada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas aponta que a crise deve deixar pelo menos 12,6 milhões de desempregados no País.

COTIDIANO

Outro ponto do levantamento feito pelo Nube aborda mudanças no dia a dia. Cerca de 9,26% dos jovens entrevistados dizem que têm usado o tempo livre para se qualificar, tendo em vista cursos que podem ser feitos on-line. Grupo correspondente a 8,5% afirmou não ter sentido impacto direto da crise do novo coronavírus, uma vez que já costuma realizar home office ou estudar a distância. 

A organização pessoal para tentar estudar ou trabalhar em casa é fundamental. “Uma das principais formas (de se organizar) é realizar uma lista com todas as atividades do dia e separar um tempo necessário para cada item. Busque manter a rotina, como se estivesse presencialmente”, comenta Vitória, ressaltando que qualificação do currículo sempre está em aberto. “Isso pode ser feito de muitas maneiras, por meio de cursos on-line de capacitação profissional, leitura de livros ou artigos sobre temas relevantes para a sua área de atuação. O principal é não desistir, manter o currículo sempre atualizado nos portais de emprego e ficar preparado caso seja convocado para uma entrevista remota.” 

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