As definições do nível de autoaceitação dos brasileiros foram atualizadas, mas parecem não ter grandes mudanças quanto ao passado. Se sentir bem é desafio a curto, médio e longa prazo, passando por diferentes tipos de pressões, sejam elas internas ou externas. Dificilmente é possível encontrar alguém que nunca deu olhada em revistas, sites ou perfis nas redes sociais e analisou as imagens das personalidades que estão ali como referência de beleza e realidade bem sucedida. Bastam segundos para a mente realizar comparativos entre si mesmo e esses famosos, assim montando o errôneo pensamento dividido entre expectativa e realidade, sonho e mundo real. Mesmo que você esteja bem consigo mesmo, sempre haverá o desejo de imaginar que algo pode ser mudado em seu corpo.

O grande alvo dos jovens fica em cima da busca pelo inexistente ‘peso ideal’. Segundo pesquisa realizada pelo Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), 39,04% dos entrevistados com idade entre 15 e 28 anos afirmaram que o peso é o item número 1 na lista de possíveis mudanças em suas vidas. “Quando se pensa na questão saudável, o peso não é um fator determinantemente exclusivo. Ele é importante e o IMC (índice de massa corporal) consegue classificar o estado nutricional do paciente, mas não deve ser olhado de maneira isolada, porque traz diagnóstico equivocado”, afirma a nutricionista clínica, Camila Marin. “Existe o peso saudável para cada indivíduo, o seu melhor perfil dentro daquela faixa”, complementa, citando questões como massa muscular, estrutura óssea, presença de hormônios, ciclo menstrual e bexiga cheia que influenciam no número que aparece na balança. A andreense conta que os adolescentes precisam lidar com o tempo de um processo e a meta a ser alcançada. “Eles querem efeito para ontem. É a luta constante contra o tempo para ser pertencente a algo. Cada um tem estrutura orgânica que pode não comportar o padrão desejado. Pensar na comparação com amigos ou outros é o que gera frustração”, diz.

O levantamento do Nube, montado no mês de maio, foi feito com 2.802 jovens de diferentes regiões do País, todos respondendo a mesma pergunta: “Qual dessas características você gostaria de alterar?”. No ranking, ainda foram lembrados possíveis melhorias nos dentes (18,24%), idade (16,20%) e altura (15,45%). Detalhe para a citação, dada por 2,32% (65 pessoas), daqueles que participaram do projeto e responderam que trocariam de gênero, ou seja, observam a possibilidade de não ficarem ‘presas’ à identidade de homem ou mulher – além de suas ramificações.

FILMES

A briga com a autoimagem e sua aceitação é a base para os acontecimentos mostrados em filmes, muitos deles feitos de olho no público teen. Em rápido levantamento contemporâneo estão Hairspray – Em Busca da Fama (2007), o brasileiro Desenrola (2011) e Lady Bird: A Hora de Voar (2017). Um dos mais recentes é Dumplin’, lançado no fim de 2018 pela Netflix. Na história, Willowdean (Danielle Macdonald) se mostra bastante confiante com seu próprio peso, mas vive a sofrer pela falta de respeito da mãe (Jennifer Aniston), ex-miss. Confusões e debates são levantados na trama na medida em que a garota decide participar de concurso de beleza local como forma de protesto, o que faz se questionar, reforçar certos pontos de sua convicção e agitar a cabeça da matriarca. Aceitação sempre rende debates e reflexões.

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