Se antigamente a estrutura organizacional era influenciada fortemente pelas formações industriais, com linhas de produção e funcionários realizando atividades repetitivas sem dinamismo, hoje, o cenário corporativo é diferente. O sistema tradicional ainda existe e é válido em alguns casos. Contudo, os modelos mais vistos atualmente envolvem profissionais multitarefa - sejam eles estagiários, aprendizes ou efetivos - os quais interagem entre si e trocam ideias para promover melhores formas de atuação para os negócios. 

Nesse sentido, apostar na construção de uma equipe diversa pode ser enriquecedor. Para as empresas interessadas em estabelecer ações de equidade, inclusão e pertencimento ainda no primeiro semestre de 2022, Priscila Cardoso, gerente de ESG da Certsys, compartilha três iniciativas para colocar em prática no dia a dia da operação. A executiva ressalta sobre a importância de evoluir programas desse tipo de acordo com o avanço do tema dentro da companhia. “É um trabalho no qual é preciso ter viés estratégico adicionado com conscientização social. Assim como em qualquer área é necessário dedicar investimentos, criar objetivos focados em Diep (Diversidade, Inclusão, Equidade e Pertencimento) é imprescindível”, conta. 

Assim, é vital monitorar os indicadores de performance, trazer as práticas ESG para a discussão com toda a organização e instaurar metas ligadas à contratação de parcelas sub-representadas. Priscila ainda completa: “se faltar conhecimento sobre as temáticas, deve-se procurar consultorias especializadas. Ofereça condições justas e oportunidade de crescimento na carreira”. 

Com o objetivo de apoiar as corporações e contribuir para mudar os dados mencionados acima, a gerente de ESG indica as seguintes ações:

1-) Estruturar um comitê 

Antes de iniciar a jornada de contratação de minorias e grupos inferiorizados, é importante realizar mudanças culturais, para haver um campo fértil para esse tema dentro da instituição. Para isso, a primeira tática é montar um grupo voltado para discutir ações e acompanhar os andamentos em torno da pauta. Preferencialmente, o coletivo deve ser comandado por uma liderança executiva influente, com forte voz para o engajamento coletivo.

A missão é desenvolver um papel gerencial sempre de olho no atingimento das metas a partir das medidas implementadas em prol desse assunto. “Não adianta convidar para a festa, chamar para dançar e não dar condições para todas as pessoas conseguirem aproveitar e se sentirem pertencentes ao grupo”, comenta Priscila.

2-) Criar programas de conhecimento horizontal

Desenvolva jornadas internas de aprendizados para todas as pessoas dos mais variados níveis hierárquicos, sem nenhum tipo de verticalização. “É importante as pessoas terem um mínimo de noção sobre seus vieses inconscientes, bem como de seus privilégios e desprivilégios”, conta a executiva.

Promova palestras com especialistas os quais problematizam e trazem de forma profunda os debates em torno das pautas de Diep. Crie uma ou várias cartilhas para os indivíduos saberem como a marca se posiciona sobre as questões. É importante incluir as pautas de gerações, mulheres, LGBTQIAP+, questões raciais, pessoas com deficiência, aspectos culturais e religião.

Leve conhecimento a partir de conteúdos de entretenimento como filmes, séries, livros, atividades de imersão e rodas de conversas. Traga experiências e relatos pessoais de quem possui um lugar de fala para criar cada vez mais uma conexão empática entre as pessoas da empresa.

3-) Formalizar parcerias com consultorias e projetos de empregabilidade

Na maioria das vezes, colocar as ações em prática exige conhecimento profundo, principalmente empírico. Assim, uma dica é buscar apoio em consultorias, entidades, associações e/ou projetos sociais os quais apoiem na conscientização interna, empregabilidade e desenvolvimento de hard e soft skills para pessoas de comunidades sub-representadas.

Para se ter uma ideia, segundo dados de uma pesquisa realizada pelo BCG (Boston Consulting Group) 29% dos brasileiros ouvidos vêem as organizações tendo desempenho insuficiente quando o assunto é pluralidade. Fernanda Chaves conseguiu uma vaga como estagiária por meio de um programa de admissão de pessoas negras. Para ela, esse tipo de postura é essencial para garantir menos discriminação e desigualdade. “Foram centenas de anos de escravidão sem reparação história. A maior parte da população pobre é preta e isso se mantém muito pela falta de chances”, explica. 

Algumas estratégias são essenciais para, não apenas fomentar resultados financeiros e comerciais, mas também garantir uma sociedade mais digna para todos. Esse fator também deve ser levado em conta. 

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