É fato: mulheres sofrem mais assédio moral e sexual no ambiente de trabalho se comparadas com os homens. Segundo uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, obtida pelo G1, 40% delas já sofreram assédio moral e sexual no escritório, contra 13% deles. Ainda, o relatório revelou a percepção dos envolvidos, 92% consideram o acontecimento mais recorrente para o sexo feminino.  

O machismo tem caráter estrutural, é moldado pelo sistema patriarcal e assombra pessoas em diferentes posições. Conforme Renato Almeida dos Santos, sócio da S2 Consultoria e diretor do IPRC (instituto de Pesquisa do Risco Comportamental), “está enraizado não apenas nas companhias, mas na nossa sociedade como um todo”. Seus efeitos ditam como são os relacionamentos, seja no âmbito íntimo ou público. 

Almeida dos Santos ressalta, “geralmente nas organizações os comportamentos machistas são mais sutis e não tão evidentes.” Isso acontece corriqueiramente no estágio da estudante de Zootecnia da Universidade Federal de São João del-Rei, Laís Mitidieri. Consoante a ela, atitudes machistas são bem comuns e apontamentos como a força física são destacados. “O homem te olha, fala: ‘você não dá conta de carregar isso” e você não fala nada, porque realmente não consegue”.

São atitudes nas quais o sujeito se coloca como superior, favorecendo o gênero masculino em detrimento ao feminimo. “Estes comportamentos têm um objetivo muito claro: a tentativa de subjugação da mulher, precisam ser combatidos urgentemente”, afirma o especialista em comportamento. Esse entendimento é fundamental para se buscar formas de romper a lógica das relações de dominação e promover interações cada vez mais saudáveis e igualitárias. 

Quais as atitudes mais comuns? 

  • Manterrupting e mansplaining: interromper a fala e explicar obviedades

 

Algumas ações acontecem com mais frequência, inclusive, é necessário estar atento para não suceder no seu espaço corporativo. De acordo com o perito, “condutas desafiadoras contra as mulheres, desde uma interrupção na fala de uma profissional durante uma reunião, ou ainda, explicações infantilizadas sobre assuntos técnicos” são corriqueiras. 

O primeiro exemplo é classificado como "manterrupting" no termo em inglês. Uma estatística levantada em 2014 pela Universidade George Washington, conduzida pela pesquisadora Adrienne Hancock, demonstrou: as mulheres possuem duas vezes mais cortes na fala em vista dos homens. 

Já o segundo diz respeito a esclarecer evidências, como se quem ouvisse não entendesse sobre o tema, nem mesmo soubesse o básico sobre o conteúdo discutido. Muitas das vezes, ela é especialista e um colega de mesmo cargo se sente superior, de modo a menosprezar o trabalho e os estudos da colaboradora. A expressão "mansplaining" foi criada em 2008 pela romancista Rebecca Solnit, após um indivíduo elucidar para ela sobre um livro de sua autoria. O episódio deu origem à obra “os homens explicam tudo para mim”

 

  • Bropriating: repetir ideias expostas de outra forma

 

Extremamente habitual, a responsável tem uma excelente indicação para a melhoria do negócio e apresenta-a para a sua equipe. Mais tarde, um companheiro repassa esse mesmo pensamento aos seus gestores, mas não dá os créditos a quem criou. Ou seja, a concepção é roubada, pois repete os preceitos expostos, porém de outra maneira, ficando assim com todo o prestígio mesmo sabendo de sua origem. Também acontece do parceiro explicar sua sugestão de modo mais “didático”, desconsiderando o posicionamento prévio.

Em março de 2021, o Sindjus RS (Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul) trouxe um levantamento sobre o tópico com diversos depoimentos expondo situações vividas por mulheres em seu ambiente corporativo. Em um deles, J.C.P relata: “a chefia foi trocada no meu período de licença maternidade. Ao retornar, o novo coordenador passou a desconsiderar todas as contribuições e reduziu minhas atribuições. Em certa ocasião, depois de tantas negativas, sugeri a um colega para apresentar minha proposta. A ideia foi acolhida e ele parabenizado.” 

Isso acontece desde os primórdios das invenções. Algumas das grandes descobertas e criações da humanidade são creditadas aos homens, quando na verdade foram feitas por mulheres. Um exemplo é Ada Lovelace, em 1843, ela escreveu uma linha de código para ser processada em máquina, se tornando a primeira programadora da história. Contudo, seu reconhecimento como pioneira veio após Alan Turing ter referenciado seu feito. 

Como combater?

“A melhor forma de combater o machismo é não se calando! Afinal, ele é retroalimentado pelo silêncio das vítimas”, declara o profissional. Laís também pensa assim, para ela “é importante denunciar”. Ademais, há algumas dicas rápidas para implementar e evitar esse comportamento, como: 

- Sempre entreviste o mesmo número de candidatos e candidatas

- Treine os gestores para estarem atentos e reprimir qualquer ato dessa origem

- Tenha um bom código de ética e pregue-o pela organização

- Apresente o ponto nas reuniões e promova discussões engrandecedoras 

- Evite perguntar sobre os filhos, pois isso não interfere no desempenho empresarial

- Tenha um bom canal de denúncia

Apesar de ser um assunto polêmico, é necessário evidenciar essa questão e investir em políticas organizacionais combatentes. Aqui, no Nube, promovemos debates e conteúdos diários, com diversos especialistas, para tratar de temáticas inerentes ao convívio corporativo. Acompanhe nosso blog e conte conosco!

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