O ensino da história e cultura afro-brasileira na rede de ensino está determinado na Lei nº 10.639, desde 2003. No entanto, esse assunto não é debatido como deveria. Ainda em 2021, vemos inúmeros casos de discriminação acontecendo pelo Brasil. Em um país diverso como o nosso, isso já deveria ter acabado há muito tempo. Sendo assim, as escolas têm o papel de aplicar esse conteúdo aos alunos mais jovens e explicar um pouco mais sobre o conceito de respeito e, também, nossa história.

O racismo no Brasil

O coordenador e professor da plataforma Feminismos Plurais, Tiago Vinícius André dos Santos, traz algumas medidas para educadores e familiares adotarem. “Existem várias ações a serem implementadas no âmbito escolar. A direção, por exemplo, pode estabelecer um Comitê de Diversidade com o propósito de analisar a composição do quadro de docentes, discentes e demais funcionários da instituição. A partir disso, propor projetos para valorizar a temática racial. Indo mais além, esse grupo pode ainda assumir a função de receber denúncias de racismo no colégio”.

“Com relação aos familiares, algo importantíssimo é tomar a atitude de conhecer autoras e autores negros. Há plataformas de ensino, redes sociais e canais no YouTube tratando de forma muito didática sobre o tema. É fundamental se dedicar a pesquisar e conhecer”, complementa Santos. Muitas vezes, os pais confiam nos professores para abordar esse ponto e a criança acaba não aprendendo como deveria.

Afinal, em sua maioria, passaram por uma educação com pouca atenção para essa luta e por isso, não dão esse ensinamento. Assim, não promovem esse diálogo tão importante para uma boa convivência na sociedade. Trata-se de um círculo vicioso. Não apenas impede uma discussão mais séria, mas também fortalece e consolida diariamente o racismo estrutural brasileiro.

Dicas para combater o preconceito

As irmãs e professoras Carolina e Fernanda Chagas Schneider vivenciaram a dificuldade de implementar esses conteúdos nas salas de aula de maneira diversificada e multidisciplinar. Dessa forma, elas citam algumas dicas para quem tem o mesmo desejo.

- Literatura:

Para elas, esse é o ponto de partida das intervenções pedagógicas. Por isso, a necessidade de utilizar em livros com o protagonismo negro. Ao trabalhar esses personagens em locais de poder, é possível refletir sobre a falta dessas pessoas em destaque nos livros infantis.

- Representatividade:

Trabalhar planos de aula apresentando esses indivíduos de maneira positiva traz amostras do exercício das mais diferentes funções na sociedade, na política, nas artes, na história e em outros campos. Atividades como essa podem ajudar na discussão sobre privilégios, por exemplo.

- Estética:

A cultura afro-brasileira e africana também é composta esteticamente, com roupas, adornos e elementos religiosos. Dessa forma, é importante discutir sobre cabelos, penteados, uso de turbantes e moda. Também é possível trabalhar as diferentes expressões artísticas com a presença da estética negra.

- Identidade:

A identidade racial no país é uma construção impactada pela história e essa noção pode ser apresentada como modo de fomentar a discussão nas classes.

- Território:

Questões como comunidade e berço originário servem para tratar temas ligados à geografia, por exemplo.

- Ludicidade:

Neste plano, os professores apresentam aspectos lúdicos, como brincadeiras tradicionais dessas origens.

- Corporeidade:

Trabalhar o corpo, suas características físicas e seus movimentos, assim como o ser e estar no mundo como pessoa negra.

- Musicalidade:

Discutir a função da música como elemento de resistência e apresentar as ramificações dos ritmos, instrumentos e sonoridade.

- Religiosidade:

Apresentar as diferentes religiões de matriz africana, as mitologias e visões oriundas do continente. Trabalhar o não preconceito às religiões não cristãs e discutir o respeito às crenças alheias.

O coordenador e professor já enxerga uma melhora no cenário nos últimos anos: “as editoras brasileiras passaram a dar mais atenção, por exemplo. Depois da morte de George Floyd, nos Estados Unidos, houve uma procura maior por informações. No mundo virtual, apesar das dificuldades, temos visto influencers pautando a temática de maneira muito didática e interessante”.

Sendo assim, desde cedo ensine esses conceitos para filhos e estudantes. Para uma sociedade melhor, só depende de nós. Conte com o Nube nessa luta!

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