A pandemia afetou várias áreas da sociedade, entre elas está a saúde mental. Segundo a pesquisa Instituto Ipsos encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, 53% dos brasileiros notaram uma piora no estado mental entre abril de 2020 e abril de 2021. Desde 2017 somos o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS.

Por isso, é importante falar desse assunto e estar sempre ligado. Com o isolamento social, ele voltou a ser debatido com mais frequência e ganhou ainda mais força nos Jogos Olímpicos, quando a ginasta americana Simone Biles desistiu da disputa das finais por conta da pressão sofrida. Ela é considerada a maior da história em seu esporte e era a favorita para a medalha de ouro.

A saúde mental no trabalho

A psicoterapeuta da Moodar, de Fortaleza, Sharlene Victor, explica: “costumo comparar nossa cabeça e emoções com uma caixinha de surpresas. Quanto mais eu cuido, menos imprevistos eu tenho. Se não estivermos bem, seremos afetados em todos os âmbitos. É preciso ter equilíbrio. Sem isso, dificilmente conseguiremos conciliar a área profissional.”

O CEO do Grupo Kronberg, Carlos Aldan, ressalta: “nesses 14 meses, todos, inclusive a liderança, estão vivendo uma pressão e constante adaptação a essa nova realidade implacável e ao ambiente incerto, desconhecido e ambíguo. As pessoas estão presenciando mortes, perdas, afastamentos e situações críticas. Estão cansadas, sensibilizadas e sofrendo os impactos da pandemia”.

Esses problemas, já graves antes da Covid-19, causam perda de produtividade dos colaboradores e, segundo a pesquisa Gallup, de 2021, custaram 8,1 trilhões de dólares para as companhias do planeta.

Sharlene explica como as empresas podem ter esse cuidado com os funcionários. “Orientar, dar feedbacks e colocar alguém como ouvinte e parceiro. Hoje, muitas corporações estão aderindo ao plantão psicológico. Consiste em uma escuta ativa e qualificada para determinada demanda. Faço esse trabalho e tem dado super certo. Se cada vez mais os gestores aderirem a esse movimento, vamos ter pessoas mais produtivas e felizes.”

Esse fator também deve ser avaliado no momento da contratação, para saber se o candidato tem as características psicológicas daquela função. Para isso, são utilizados instrumentos como testes de cognição e de personalidade.

Algumas condições de trabalho podem aumentar a ocorrência dos riscos psicossociais. Por exemplo, cargas de trabalho excessivas, ausência de participação na tomada de decisões, comunicação ineficaz, falta de apoio de chefias e colegas, relações interpessoais difíceis, existência de assédio, agressão e violência e dificuldade em conciliar o trabalho e a família.

Dados do Instituto Nacional de Seguro Social - INSS mostram os transtornos mentais como a terceira principal causa de concessão de benefícios previdenciários para trabalhadores com registro formal. Dentre esses, em 80% foi estabelecido nexo de causalidade associado aos diagnósticos de depressão, ansiedade e transtornos de estresse.

No Rio de Janeiro, já existe um projeto de lei, aprovado na Câmara Municipal, para um Programa Ambulatorial para tratar pessoas com essas adversidades. Caso seja aprovado pelo prefeito Eduardo Paes, o Sistema Único de Saúde - SUS do município assumirá esse compromisso.

Setembro Amarelo

A campanha, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina - CFM, acontece desde 2014. O dia 10 de setembro é, oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Esse ano será mais especial, devido ao contexto atual.

Segundo a OMS, cerca de 800 mil pessoas tiram suas próprias vidas todos os anos no mundo e essa é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Aproximadamente 96,8% dos casos estavam relacionados a questões psicológicas. Em primeiro lugar, está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Portanto, cuide da sua cabeça, respeite seu limite e assuma suas vulnerabilidades. A terapia é uma grande aliada nesse sentido. Procure saber como está o seu time e apoie quem precisar. Você estará ajudando a sua instituição, e acima de tudo, um ser humano.

Assista também essa matéria da TV Nube: “Como proteger a saúde mental durante a pandemia?”

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