Um grande obstáculo enfrentado por gestores de todos os setores e tipos de empresas é saber ou encontrar maneiras de motivar os colaboradores de modo assertivo e contínuo. Afinal, ter pessoas animadas em realizar as tarefas rumo a um objetivo é um grande diferencial para obter a tão sonhada alta performance.

Caminhos possíveis

Para Leandro Franz, sócio e consultor da People+Strategy, nos momentos difíceis se descobrem as verdadeiras lideranças. “Cada vez mais, com times de gerações e mentalidades mais diversas, com novas culturas e tecnologias, o desafio só tende a aumentar”, comenta.

Larissa Campos estuda administração em Salvador e conta ter uma boa relação com seus supervisores. “Se eu não tivesse, não conseguiria fazer nem metade das coisas mesmo sentindo vontade de entregar mais. Eles me estimulam a ir além e consigo explorar meu potencial”.

Um caminho possível para quem coordena pode ser prestar mais atenção à individualidade de cada membro do grupo. “Spinoza é conhecido como o filósofo dos afetos, tendo dissecado dezenas deles (amor, ódio, melancolia, ciúme, soberba, inveja, desejo etc.). Viveu em Amsterdã no séc. XVII, morreu aos 44 anos com uma obra imensa escrita e teve Einstein como seu seguidor mais famoso”, apresenta Franz.

Você conhece esse termo?

Um grande aprendizado de sua filosofia trazido para o mundo corporativo é o conatus, “um conceito capaz de descrever a potência de cada pessoa, sua força de perseverar. Todos os acontecimentos da vida afetam esse campo positivamente (gerando alegria e contentamento) ou negativamente (gerando dor e melancolia)”, explica.

Da mesma maneira como temos paladares e gostos diferentes, cada individualidade tem seu "ritmo" de resposta a bons e maus encontros. “A cada minuto, somos afetados tanto de fora para dentro quanto de dentro para fora. Segundo Spinoza, ‘quando a mente é tomada de algum afeto, o corpo é, simultaneamente, afetado por meio do qual sua potência de agir é aumentada ou diminuída’”.

Efeitos internos e externos

Internamente, nossos pensamentos e funções biológicas fazem essa característica flutuar. “Se você tem sede e pode tomar uma água, sente alegria. Se não tem como suprir essa vontade, dor. Se relembrar de um erro, pode ficar com vergonha e, com isso, baixar sua força. Se por acaso se lembra de alguma conquista, fica satisfeito consigo mesmo e eleva sua potência”, destaca.

Do lado externo, ainda mais durante uma grande tragédia como a pandemia da Covid-19, somos afetados sucessivamente no encontro (hoje mais virtual) com outras pessoas, por notícias e eventos. “Cada um deles afeta nossa força de perseverar. Aí entra o papel do líder em impulsionar positivamente sua equipe. Com tantas más notícias, medos e dores, como garantir que, ao menos no trabalho, todos tenham suas potências aumentadas?”, indaga o especialista.

Um estímulo negativo pode levar a baixo desempenho e a novos conflitos os quais, em outros contextos, não emergiriam. “Por mais ‘boa vontade’ e ânimo de cada um para trabalhar, por mais automotivação e discursos inspiradores, Spinoza afirma ainda sermos frágeis em relação ao mundo: ‘a potência humana é bastante limitada, sendo infinitamente superada pelas causas exteriores’”.

O que um verdadeiro líder pode fazer?

O primeiro passo é reconhecer como cada evento e encontro afeta de modo diferente os membros da empresa. “É o famoso ditado popular, também citado por Spinoza em seu livro Ética: ‘cada cabeça, uma sentença’. Então, você conhece o que aumenta ou diminui o conatus do seu time? Quem se empolga com um novo desafio inesperado e quem se desestabiliza? Você gerencia individualmente as diferentes reações aos afetos externos e reconhece alavancas para cada colaborador?”, aponta o consultor.

Ao identificar as características capazes de estimular a particularidade de cada um, o gestor se torna mais próximo, mais inspirador e gera confiança para atravessar momentos difíceis. “Ao ouvir, reconhecer e atuar sobre fatores responsáveis por aumentar a "força de perseverar" de sua staff, você melhorará o clima, a colaboração e os resultados”, finaliza.

Como conseguir uma cultura de alta performance?

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