Estamos nos aproximando de completar um ano e meio com a aplicação de normas restritivas e isolamento social. Durante esse período, superamos diversos desafios e descobrimos novas formas de nos adaptar. Uma delas, para o mundo corporativo, foi o conhecido home office. Entretanto, com o progresso da vacinação, executivos de diversos ramos entraram no dilema: permanecer como estamos ou voltar ao “antigo normal”?

Quando o home office começou?

Apesar de ganhar proporções absurdas apenas em 2020, no Brasil, o termo surgiu no final da década de 90, durante o Seminário Home Office/Telecommuting - Perspectivas de Negócios e de Trabalho para o 3º Milênio, conforme citado por Juliane Bruna da Silva Thom, em 2017. Entretanto, o custo elevado dos equipamentos impossibilitou a adesão.

Anos passaram e a tecnologia evoluiu. A Internet passou a ser o principal meio de comunicação e os aparelhos eletrônicos foram barateados, permitindo à população o acesso de forma facilitada. Todavia, por muito tempo, a cultura de “comando e controle”, relacionada à necessidade de manter os colaboradores fisicamente próximos, anulou a ideia de implantar o teletrabalho, até o início da crise do Covid-19. A necessidade de preservar a saúde das pessoas foi maior em comparação às inseguranças dos gestores.

Benefícios e desafios do teletrabalho

Hoje podemos fazer uma lista com as vantagens trazidas para ambos os lados. Para os funcionários, maior comodidade. O trajeto “casa-trabalho” é um fator estressante, principalmente pelo trânsito das grandes cidades. O tempo gasto nessa rota pôde ser substituído pela prática de exercícios físicos, aprimorar o conhecimento com cursos ou até mesmo por horas de descanso. Além disso, também proporciona mais momentos com a família e economia com transporte e alimentação.

Já as empresas conseguem diminuir os custos com contas de água, energia, Internet, limpeza e segurança. Em uma pesquisa feita na CTrip, uma das maiores agências chinesas de viagens, o professor de economia da Universidade de Stanford, Nicholas Bloom, analisou o nível de produtividade de dois grupos. O primeiro, designado a atuar remotamente, aumentou em 13% o número de entregas, comparado ao segundo, o qual não sofreu alterações.

Por outro lado, a prática também traz desafios. A Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com a EM Lyon Business School e a consultoria Grant Thornton, realizou a segunda edição da pesquisa “Novas formas de trabalhar: as adequações ao home office em tempos de crise”. Ela mostrou as diferenças notadas pelos respondentes depois de um ano do primeiro questionário. As principais dificuldades apontadas foram: maior volume de horas trabalhadas e dificuldade em manter o relacionamento com as pessoas da organização.

Existem vantagens com o sistema híbrido?

Com o progresso da vacinação, o sistema híbrido está sendo cada vez mais considerado no mercado. Basicamente, trata-se de uma mistura entre os dois modos. Ele promete juntar o melhor de cada um, trazendo mais flexibilidade e autonomia.

"O modelo híbrido deve perdurar após a pandemia. Com equilíbrio entre o trabalho remoto e a ida regular ao escritório, conforme a necessidade de cada companhia, todos podem se beneficiar da situação", avalia Pedro Signorelli, fundador da Pragmática Consultoria em Gestão e especialista na metodologia de gestão por OKRs (Objectives and Key Results).

A versatilidade dele permite definir a frequência dos encontros, tanto em uma visão macro, quanto micro. Ou seja, assim como a direção pode estabelecer uma porcentagem de dias ou de pessoas presentes, o indivíduo pode escolher o local para exercer suas ocupações.

A equipe de Fabio Luis Rodrigues, scrum master no Banco Santander em São Paulo, implantou o sistema desde o afrouxamento das normas restritivas. “No acordo interno, 30% do time deve atuar presencialmente. No nosso caso, por exemplo, enquanto três pessoas vão ao banco por uma semana, as demais ficam remotas por duas e depois fazemos o rodízio. Vejo isso de forma positiva, pois há a redução de gastos gerais para um lado, e para o outro, o maior ganho em qualidade de vida.”

Como equilibrar os dois modelos?

Algumas das gigantes do Vale do Silício, como Spotify, Facebook, Google e Twitter, também estão implementando a hibridade. Cada uma com uma abordagem diferente, a fim de testar qual é a melhor combinação e encontrar um ponto de equilíbrio, principalmente pelo fato de existir resistência entre os empregados à volta integral aos escritórios.

Já a seguradora Sul América está redefinindo a partir das experiências com expedientes, a fim de entender o nível adequado de virtualização. O plano consiste em analisar arquétipos para os principais processos e construir métricas para acompanhar a produção e o engajamento do time com a migração.

Estão dedicadas à execução do projeto sete frentes, coordenadas por um comitê, com indicadores de resultado para cada fase. "A partir de um mapa de atividades, vamos implementar cada etapa por ondas, com ciclos de três meses de duração, testes e ajustes com base nos aprendizados de cada uma", explica Patrícia Coimbra, vice-presidente de Capital Humano, Administrativo, Sustentabilidade e Marketing da Sul América.

Em uma pesquisa levantada pelo Instituto Ipsos, trabalhar em qualquer lugar fora das organizações é a opção dos sonhos para 49% das pessoas empregadas, 55% dos autônomos e 55% dos desempregados. A mudança foi impulsionada pela crise sanitária, porém, isso vem acontecendo desde a entrada de novas gerações no mercado.

Sua empresa seguirá a tendência do mercado? Veja dicas de como liderar com o sistema híbrido.

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