Se você entra em uma sala de aula, escolhe um lugar e ao iniciar a formação, percebe:  todos os seus colegas ignoram o professor e concentram-se em seus celulares. O quanto isso te influencia? Nessa linha caminha o estudo de Albert Bandura, psicólogo canadense e professor da Universidade de Stanford. Ele desenvolveu a teoria da aprendizagem social. Saiba mais! 

O conceito estuda o quanto os indivíduos causam efeitos uns nos outros na questão da aprendizagem, seja de forma negativa, como positivamente. A teoria destaca o ensino por meio da observação. Bandura aponta: o estado mental interno de quem está obtendo conhecimento desempenha um papel fundamental no processo de absorção. “Assim, a aprendizagem social acontece a partir da interação entre a mente do aprendiz e o ambiente ao seu redor”, explica Sérgio Guerra, CEO da SG Aprendizagem Corporativa. 

Ou seja, essa ideia ressalta: educa-se pelo exemplo e ações. Isso tudo, é claro, somado ao estado mental de uma pessoa. “As pessoas aprendem coisas novas quando observam as ações dos outros. Isso acontece por meio da convivência diária, filhos com pais ou alunos com professores. Porém, também pode ocorrer por meio da Internet, tecnologias e redes sociais”, afirma Guerra.

Não à toa faz tanto sucesso no mundo atual a profissão de “digital influencer”. Os influenciadores digitais são pessoas capazes de estimular e incentivar os usuários da web. Como? De acordo com as atividades de atuação, produtos utilizados e rotina. “Porém, a influência vai além disso: ela também está inserida no contexto da educação. E, é claro, esse método ganha cada vez mais espaço no mercado via EAD, pois estimula cada um a aprender de acordo com o seu tempo e ritmo”, comenta o especialista.

“A Teoria da Aprendizagem Social é descrita frequentemente como uma “ponte” entre a tradicional, ou seja o behaviorismo, e a abordagem cognitiva. Bandura sempre deu importância aos fatores mentais definindo os “aprendizes” como sujeitos ativos na hora de processar a informação e de valorizar a relação entre seu comportamento e as possíveis consequências”, explica o CEO.  

O especialista pontua ainda: “não devemos cometer o erro de imaginar apenas as pessoas imitando tudo e absolutamente todas as crianças vão apresentar comportamentos agressivos pelo simples fato de ver cenas violentas em casa ou na televisão.  Ocorrem pensamentos antes da imitação e há mediadores capazes de favorecer a imitação ou uma resposta alternativa”, destaca. 

Pensando em auxiliar nessa compreensão, o especialista destaca alguns dos mediadores para se atentar. 

O ambiente

Nossa sociedade não é igualitária nem homogênea, mas produz, por sua vez, os mais variados ambientes e cenários. Há alguns mais propícios, mais positivos e outros mais opressivos. “Vamos analisar um exemplo. Pedro tem 10 anos e esse ano tem um novo professor de música ensinando as crianças a tocar piano. Nos primeiros dias, o pequeno ficou fascinado por esse instrumento, queria ter um, aprender mais. No entanto, quando chegou em casa, um lar pouco facilitador, seu pai rapidamente tirou essa ideia da sua cabeça. Desde então, Pedro passou a perder o interesse pelo piano”, ilustra Guerra. 

Atenção

Para um comportamento ser imitado, ele precisa chamar nossa atenção, despertar de alguma maneira nosso interesse e o dos nossos neurônios espelho. “No nosso dia a dia, observamos muitas posturas, mas nem todas são do nosso interesse”, destaca o CEO.

Motivação 

A motivação é o motor e a vontade de realizar determinado comportamento visto nas outras pessoas. “No entanto, nesse ponto, precisamos falar sobre a aprendizagem vicária, na qual segundo Bandura, não basta apenas olhar, mas também ver quais recompensas ou quais consequências elas obtêm devido a essa ação”, aponta Guerra. 

Para o mercado

Além disso, o conceito pode ser aplicado no aspecto de carreira e jornada profissional. Para Richard Vasconcelos, CEO da LEO Learning Brasil, um dos grandes desafios na carreira de qualquer profissional é a mudança de papel. Para ele, o caminho parte da premissa de buscar novas formas de aprender. “Durante esse aprendizado é natural sentir angústias e ter muitas dúvidas, por isso é importante investir na capacitação para o desenvolvimento de habilidades essenciais ao líder. Aí entra a importância do desenvolvimento de soft skills, termo em inglês para definir as competências sociais, emocionais e mentais ligadas à personalidade de cada um, e do aprendizado constante, tão importantes para o crescimento profissional”, destaca.

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