Nos últimos meses, a grande pauta foram as políticas de ação afirmativa para inclusão de jovens pretos em programas de trainee e estágio. Para muitos, as ações promovidas pela iniciativa privada foram alvo de vários questionamentos. Esses processos de seleção são fundamentais para a formação de novas lideranças.

A pauta sobre diversidade em conselhos de administração não é nova. Segundo estudo realizado pela Spencer Stuart, o percentual de mulheres em conselhos nas empresas avaliadas é de apenas 10,5%, uma das mais baixas na comparação com outros países, mas é considerado um avanço ao estudo anterior.

Desconstruir urgentemente esses preconceitos e estereótipos

De acordo com a especialista em diversidade e inclusão, Cris Kerr, quando tratamos de exclusão de pessoas pretas, a bola está com as instituições. “As políticas governamentais vêm fortalecendo o acesso dos negros à educação, mas o aumento nas corporações continua sendo um grande desafio. O pilar de raça ainda é um dos mais resistentes pelas companhias, dificultando a alteração no cenário da desigualdade racial. Muitas vezes o indivíduo tem competência, mas as desculpas estão relacionadas à forma como ela se veste ou até mesmo o tipo de cabelo. Precisamos desconstruir urgentemente esses preconceitos e estereótipos”, lamenta.

Segundo Jandaraci Araújo, subsecretaria de empreendedorismo micro e pequenas empresas do estado de São Paulo, os conselhos de administração são a base da governança corporativa, responsáveis por monitorar e dar orientação à gestão executiva e principalmente gerar valor ao longo prazo. “Como fazer isso sem um time com perspectivas diferentes, sem a disrupção proporcionada por divergentes origens e backgrounds? São vários estudos comprovando como o aumento do lucro e maior inovação podem ser adquiridas pela diversidade”, destaca.

Environmental, Social and Governance

Por um lado a especialista orienta como os clientes estão atentos e cada dia mais engajados em consumir ou se relacionar com corporações éticas e com propósito claro. De outro lado, os investidores valorizando não apenas o lucro, mas também o impacto social e ambiental. “Trata-se da ESG (Enviromental, Social and Governance), ou seja, a diversidade racial está ligada diretamente ao social, assim como práticas não-discriminatórias com as demais condutas”, explica.

De acordo com ela, estamos em um caminho o qual não permite retrocesso ou práticas como o “diversity washing”: “ou seja, são companhias inclusivas da porta para fora apenas na publicidade, por exemplo”, orienta. Pensando nesse cenário, Jandaraci questiona: “faltam colaboradores pretos prontos para ocupar posições nos conselhos de administração? Ou é apenas uma cegueira seletiva a qual ignora vários talentos com uma carreira sólida? Seriam os algoritmos das redes sociais?”, reflete.

Para refletir ainda mais sobre esse contexto, Jandaraci comenta sobre o quadro das mulheres pretas no Brasil: “mesmo quando possuem qualificação e experiência suficientes, chegam a ganhar 159% a menos de acordo com o estudo recente do Insper, nos colocando no modo sobrevivência. No entanto, somos várias e me incluo nesse rol, rompendo o teto de vidro blindado do mercado corporativo, “hackeando” o sistema e sendo referências em suas áreas. Apesar das barreiras impostas - sócio-econômicas, gênero e racial avançaram e estão aptas a ocupar posições de liderança. Consegue imaginar o quão articuladoras e inovadoras são”, comenta.

Ainda quando repensamos essa situação, a subsecretaria reflete sobre questões profundas: “como meus ancestrais, acredito no poder do coletivo, só iremos avançar e transformar o status quo corporativo, quando várias avançarem. Penso em um provérbio africano: se deseja ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo. Não há mais espaço para histórias únicas, pois elas não transformam, não mostram a força e a importância de todo um coletivo, afinal somos 27% da população brasileira”, afirma.

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