Desde o início da maior crise sanitária da época, circulam publicações e vídeos quase sempre retratando as formas de contágio do novo coronavírus, como prevenir e, até mesmo, fórmulas caseiras para curar a doença. Muitas dessas informações são falsas. De lá pra cá, segundo levantamento da Avaaz, sete em cada dez brasileiros acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre a Covid-19.

Quem já passou por isso
                                                                
Para a estudante de administração, Isabela Tavares, do Rio de Janeiro, foi difícil não se deixar influenciar pela  enxurrada de informações enviadas a ela, principalmente entre fevereiro e abril, quando o contágio se intensificou no mundo inteiro. “Cheguei a acreditar em algumas mentiras e acho isso muito perigoso para a população como um todo”, comenta. Depois de ter percebido o deslize, ela passou a se pautar apenas em fontes oficiais como jornais e portais especializados.

Em contraste, segundo uma pesquisa do Nube, mais de 75% dos jovens disseram sempre checar os fatos para evitar problemas. Entretanto, a quantidade de likes nesse tipo de publicação nos sites ainda é crescente.

A raíz do problema
                                                                
De acordo com o advogado e escritor André Faustino, a disseminação das fake news durante a pandemia é fruto de dois comportamentos: a constância de conformidade e a relativização da ciência. “Se compartilharam comigo, deve ser verdadeiro. É a maneira de pensar dos disseminadores dos posts fraudulentos. É esse mesmo indivíduo quem vai legitimar a ‘verdade’ da ciência ou não, de acordo com suas crenças e ideologias”, afirma o especialista.  

Redes sociais são o principal meio de “contágio” das mentiras
                                                                
Atualmente, o Whatsapp e o Facebook lideram o ranking dos canais onde há uma maior disseminação desse tipo de fatos mentirosos. Ambas decidiram adotar medidas para tentar diminuir o fluxo de compartilhamento. Para Faustino, existem dois pontos fundamentais capazes de estimular esse comportamento das pessoas na web.

Você já compartilhou fake news?
                                                                
“O primeiro é uma sensação de anonimato e o segundo é a falta de relação dos indivíduos com uma consequência, as conexões dentro das redes sociais são efêmeras e voláteis, dessa forma a própria pessoa responsável por espalhar a desinformação não tem uma noção do impacto daquilo. Afinal, isso é fruto do próprio momento do homem vivendo em sociedade. Estamos no tempo do pós: a pós-modernidade, a pós-verdade, o pós-humano, o pós-deus e assim por diante”, expõe Faustino.  

Livro sobre o assunto explica os detalhes do fenômeno
                                                                
Para uma avaliação mais detalhada sobre os fenômenos sociológicos por trás desse tema, o advogado lançou a obra “Fake News - A liberdade de expressão nas redes sociais na Sociedade da informação”, publicada pela editora Lura. O projeto é fruto de sua dissertação de mestrado e aponta as razões pelas quais as inverdades se consolidaram na Internet. “Há um protagonismo do indivíduo no contexto social indiferente à verdade. Cada qual se apega ao emocional. Embora saiba se tratar de uma mentira, o indivíduo prefere acreditar nela porque é mais conveniente com as suas percepções”, explica.

Saiba como evitar cair em notícias falsas e evite complicações! Já compartilhou ou recebeu fake news?

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