Famílias grandes era algo comum de ser visto no passado. A maior parte das pessoas tinham dezenas de tios, primos e irmãos, pois um casal costumava ter seis filhos ou mais. No entanto, nas últimas décadas muita coisa se alterou. A mudança cultural e migração para a cidade estabeleceu novos hábitos. Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre 2012 e 2016, enquanto o grupo de idosos cresceu 16%, o de crianças caiu 6,7%. Ou seja, menos nascimentos estão acontecendo. Pensando nessa realidade, fizemos uma pesquisa com a seguinte questão: “você pretende ter filhos?”. Acompanhe o resultado.

Apesar de 57,97% afirmarem a vontade de ter descendentes, uma parcela não pretende passar pela experiência mais de uma vez. Logo, 48,96%, ou 20.264 participantes, disseram: “sim, eles dão sentido à vida”, mas outros 9,28% (3.839) asseguraram: “almejo no máximo um, pois é muito caro”. Para a analista de treinamento do Nube, Nicole Tavares, os dados refletem uma característica das Gerações Y e Z, as quais têm como principal valor a autorrealização e o equilíbrio entre a esfera pessoal e a profissional. “Eles não mais priorizam a carreira em detrimento do bem-estar. Porém, têm a ânsia humana de criar vínculos e de reproduzir, não apenas como necessidade biológica, mas emocional”, assegura.

Quanto ao dinheiro gasto, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Dsop de Educação Financeira, em média, 40% do orçamento total de uma família, com duas pessoas no papel de responsável, é disponibilizado para o bebê. "Contudo, se essa transformação será considerada extravagante ou não, dependerá de alguns fatores, como o estilo de vida, por exemplo", comenta.

Já para 13,47% (5.577), a chance será analisada com calma pois “a situação do país desanima”. Esse índice demonstra a maturidade da juventude, pois, é fundamental, antes de partir para uma decisão tão séria, avaliar o entorno. “É importante considerar o cenário, por exemplo, da saúde, da educação e da estabilidade do mercado. Entretanto, não precisa ser necessariamente um fator decisivo. Se existe o sonho, mesmo em uma realidade desfavorável, o planejamentos ajudará a superar as dificuldades”, incentiva a especialista.

Na contramão, 28,29% revelaram nem cogitar a ideia. Desses, 25,47% (10.543) afirmaram: “não, tenho outras prioridades” e 2,82% (1.166) constataram: “o mundo já tem gente demais”. Para esses, é válido ser muito honesto consigo mesmo e não ceder às pressões da sociedade. “Devemos ser coerentes com nossos desejos e necessidades, isso é ser responsável. Toda escolha merece ser respeitada”, enfatiza.

Independentemente do pensamento de cada um, o mais significativo é o autoconhecimento. “Sugiro refletir sobre as aspirações e necessidades. Todos têm de dedicar-se àquilo realmente importante para sua existência”, explica Nicole. No mais, se não foi possível se organizar anteriormente e a gravidez aconteceu, a dica é pensar daqui para frente. “Traçar metas e ter um plano para o futuro ajudará a levar a vida de forma mais leve e tranquila”, finaliza.

O estudo ocorreu entre 16 e 27 de julho e contou com a participação de 41.389 pessoas. A faixa etária analisada foi de 15 a 26 anos, em todo território nacional.

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