Jovens Empresários

Jovens recém formados se arriscam em ser dono do próprio negócio

Ao contrário do que muitos jovens pensam, para abrir sua própria empresa não é necessário apenas uma boa idéia e dinheiro para investir. Além dos trâmites burocráticos, é preciso ter o perfil de um empreendedor.
Saber planejar e fazer uma boa pesquisa de mercado estão entre os requisitos básicos, tudo para evitar o prejuízo financeiro e de tempo, ou pior, o fracasso de um sonho.
O Brasil é o país onde mais se abrem novos negócios, mas também o que tem a maior taxa de falências de empresas com até três anos de existência. Segundo pesquisa realizada pelo GEM (Monitor Global de Empreendorismo), 12,3% dos brasileiros com idade entre 18 e 64 anos tem negócio próprio. Em segundo vêm os Estados Unidos, com 9,8% e em terceiro a Austrália, com 8,1%.
Os números de falência no Brasil são apresentados pelo OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e o Sebrae, a cada 100 empresas brasileiras, 56% fecham as portas em até três anos de vida. Também nesse caso somos os primeiros do ranking, seguidos por Portugal com 44% e Estados Unidos com 40%.
De acordo com o levantamento do Sebrae, 37% da população jovem trabalhadora são assalariados, mas sem registro em carteira. Outros 16% fazem trabalhos alternativos como bicos e free lancers. Apenas 28% atuam com carteira assinada, 3% trabalham por conta própria e pagam ISS e 1% é profissional liberal.
A grande dificuldade de encontrar uma oportunidade no mercado de trabalho tem fortalecido a idéia dos jovens em abrir o próprio negócio.
Em outra pesquisa realizada pelo Sebrae com 54 mil universitários que participaram do 'Desafio Sebrae', jogo de administração de empresas virtual, no ano passado, revela que 85% dos jovens que concorreram ao jogo já consideraram a hipótese de implementar um negócio como alternativa de carreira profissional. O setor mais atraente para esse público é o de serviços, com 65% de atuação.
Fernando Zine Gallo é um exemplo, jovem de 26 anos recém formado em Economia na Faculdade Metodista, resolveu abrir um negócio com mais três amigos que conheceu na época do colégio. A idéia surgiu há quase dois anos, mas ainda não tinham idéia em qual ramo atuar.
Passado algum tempo optaram por abrir um restaurante argentino, território já conhecido pelos amigos e aproveitando o fato da família de um dos seus sócios ser dona de uma rede em São Paulo.
“O projeto saiu do papel há cinco meses, quando começamos a procurar o espaço. Contratamos os serviços de arquitetos, engenheiros e até de uma agência de publicidade para cuidar da imagem do restaurante. Estamos investindo tudo o que temos para que o negócio dê certo”, afirma. São esses detalhes que aumentam o custo, segundo Fernando os gastos com o novo negócio foram três vezes maior do que o planejado.
Fernando trabalha desde os 14 anos, já foi de office boy a administrador de empresas, por isso será o responsável por administrar o negócio, um dos três sócios é formado em contabilidade e cuidou de todos os trâmites legais e os outros dois formados em hotelaria ficarão responsáveis pela alimentação e serviços.
Eles viajaram para Buenos Aires atrás de informações para agregar ao novo negócio. Visitaram restaurantes, conversaram com chefs, proprietários e até clientes para descobrirem as necessidades que esse tipo de investimento requer.
”O conhecimento que a faculdade oferece não é suficiente, somente a teoria não te dá uma base para abrir um negócio, juntamos experiências e informações teóricas para tirar a idéia do papel”, conclui. As expectativas com relação aos negócios são as melhores, eles esperam um retorno do capital investido em até dois anos.

Ser mais um, em meio à tamanha concorrência, é perder tempo e dinheiro. Segundo Gilberto Rose, consultor de orientação empresarial do Sebrae-SP, o futuro empresário deve ter gosto pelo negócio, tino comercial. “É preciso conhecer o mercado em que pretende atuar, e como mercado entendemos os concorrentes, os fornecedores e os consumidores. É de fundamental importância saber e compreender o seu comportamento atual, e principalmente, as tendências, o ciclo de vida esperado para o produto ou serviço, os diferenciais competitivos a oferecer aos consumidores em relação aos concorrentes e esmerar-se na gestão do negócio.

 
Gilberto Rose

“O empreendedor, parafraseando Graciliano Ramos em Vidas Secas, “antes de tudo, é um forte”, pois ele põe em risco seu capital, que na maioria das vezes é a economia de uma vida, gera empregos, paga impostos e é o principal ator na roda-viva da economia do país, pela sua coragem, insistência e determinação de enfrentar obstáculos, cair, levantar, dar a volta por cima e recomeçar”, conclui Gilberto.

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